Pular para o conteúdo

Estudos Análise de dados Versão preliminar

O recorte inicial em números: população, território e economia de RS, SC, PR, SP e MS

Retrato estatístico das cinco unidades da federação do recorte de estudo, com dados oficiais do IBGE: população, área, número de municípios, PIB e sua evolução desde 2002, e composição setorial da economia.

Autoria
Equipe de pesquisa da Nova Federação
Publicado em
Versão
1.0
Revisão externa
Ainda não revisado

Versão preliminar. Este estudo ainda não passou por revisão externa e pode mudar. Críticas e correções são bem-vindas.

Por que começar pelos números

Qualquer conversa séria sobre autonomia estadual ou reorganização territorial precisa partir de uma descrição compartilhada do território. Este estudo não testa hipóteses nem sugere conclusões. Ele organiza, num só lugar, os indicadores oficiais básicos das cinco unidades da federação que compõem o recorte inicial de pesquisa da Nova Federação.

O recorte é um ponto de partida metodológico, e não uma proposta de fronteira. Ele pode ser ampliado, reduzido ou subdividido conforme os estudos avancem.

O que o recorte representa

Juntos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul somam 77,1 milhões de habitantes no Censo 2022, ou 38,0% da população brasileira. Ocupam 1.182.098 km², 13,9% do território nacional, distribuídos em 1.915 municípios. Em 2023, responderam por 49,9% do PIB do país.

Unidade da federação População (2022) Área (km²) Municípios PIB (2023) Parte do PIB nacional PIB per capita (2022)
Rio Grande do Sul 10.882.965 281.707 497 R$ 650,1 bilhões 5,9% R$ 54.547
Santa Catarina 7.610.361 95.731 295 R$ 513,4 bilhões 4,7% R$ 61.268
Paraná 11.444.380 199.299 399 R$ 670,9 bilhões 6,1% R$ 53.704
São Paulo 44.411.238 248.219 645 R$ 3,44 trilhões 31,5% R$ 70.485
Mato Grosso do Sul 2.757.013 357.142 79 R$ 184,4 bilhões 1,7% R$ 60.358
Recorte (soma) 77.105.957 1.182.098 1.915 R$ 5,46 trilhões 49,9% R$ 64.473
Brasil 203.080.756 8.510.418 5.570 R$ 10,94 trilhões 100% R$ 49.634
Fontes: IBGE, Censo Demográfico 2022 (SIDRA 4714) e Contas Regionais (SIDRA 5938). PIB a preços correntes. PIB per capita calculado pela Nova Federação: PIB de 2022 dividido pela população do Censo 2022. Baixar CSV

Três observações ajudam a ler a tabela:

  1. São Paulo domina o agregado. O estado concentra 58% da população e 63% do PIB do recorte. Qualquer análise que trate o conjunto como bloco homogêneo esconde essa assimetria.
  2. Mato Grosso do Sul é o maior em área e o menor em população. Tem densidade demográfica muito inferior à dos demais e uma economia em que a agropecuária pesa mais do que em qualquer outra UF do recorte.
  3. O PIB per capita é heterogêneo. Os cinco estados ficam acima da média nacional, mas a distância entre o maior e o menor valor do recorte é grande.

Duas décadas de participação no PIB

A participação do recorte no PIB brasileiro passou de 52,2% em 2002 para 49,9% em 2023. A estabilidade do agregado esconde movimentos opostos: São Paulo perdeu participação (de 34,9% para 31,5%), enquanto os três estados do Sul somados oscilaram entre 15,6% e 17,3% e Mato Grosso do Sul subiu de 1,1% para 1,7%.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 20032006200920122015201820212023 Recorte (5 UFs) 49,9% São Paulo 31,5% RS + SC + PR 16,8% Mato Grosso do Sul 1,7%
Participação no PIB brasileiro a preços correntes. Fonte: IBGE, Contas Regionais (SIDRA 5938), 2002–2023. Cálculo da Nova Federação. Baixar série (CSV)

A perda relativa de São Paulo é coerente com o processo de desconcentração produtiva documentado pelo IBGE nas Contas Regionais, com ganho de participação de estados do Centro-Oeste e do Norte ligados ao agronegócio e à mineração. Este estudo não investiga as causas, apenas registra o movimento.

Composição setorial

A estrutura produtiva varia bastante dentro do recorte. Serviços predominam em todas as UFs, mas com intensidade diferente; agropecuária e administração pública têm pesos muito distintos entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.

  • Agropecuária
  • Indústria
  • Serviços
  • Administração pública
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
São Paulo
Mato Grosso do Sul
Parte de cada setor no valor adicionado bruto de 2021, último ano com abertura setorial por UF. Fonte: IBGE, Contas Regionais (SIDRA 5938). Cálculo da Nova Federação.

O que estes dados não dizem

Os números acima descrevem o presente e o passado recente das cinco UFs dentro da federação brasileira. Eles não permitem concluir, sozinhos:

  • se um arranjo com mais autonomia estadual seria vantajoso ou desvantajoso para a população;
  • qual seria o saldo fiscal entre o recorte e a União (tema de estudo próprio, em andamento);
  • como as economias reagiriam a mudanças institucionais, já que as cadeias produtivas, o mercado consumidor e a infraestrutura são integrados ao restante do país.

Conclusões sobre essas questões exigem dados e métodos adicionais, que serão objeto de estudos específicos, sempre com fontes abertas e revisão independente.

Como reproduzir

Todos os valores desta página são gerados automaticamente a partir do arquivo de dados do site, atualizado pelo comando npm run dados:indicadores, que consulta a API pública do SIDRA. Os arquivos CSV listados ao lado contêm exatamente os números usados aqui.

Limitações declaradas

  • O PIB per capita aqui usa a população do Censo 2022 como denominador. O IBGE usa estimativas populacionais para o mesmo cálculo, então os valores podem diferir ligeiramente das publicações oficiais.
  • Valores a preços correntes não descontam a inflação. A participação no PIB nacional é comparável entre anos; os valores absolutos, não.
  • A abertura do valor adicionado por setor e por UF está disponível até 2021 na tabela consultada, dois anos antes do PIB total.
  • Somar unidades da federação produz um agregado estatístico. Isso não descreve como uma economia funcionaria sob outro arranjo institucional, porque as trocas com o restante do país continuariam existindo.

Fontes

  1. Dados IBGE. Censo Demográfico 2022: população residente, área territorial e densidade demográfica (tabela 4714). Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), 2023. Acesso em 26/10/2026.
  2. Dados IBGE. Produto interno bruto a preços correntes, impostos e valor adicionado bruto por atividade (tabela 5938). Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), 2025. Acesso em 26/10/2026.
  3. Documento IBGE. Contas Regionais do Brasil: notas metodológicas. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024. Acesso em 26/10/2026.

Histórico de versões

VersãoDataMudança
1.026/10/2026Primeira versão, aberta para revisão.